Vozes ostentando a carência do amor;
Gritos desesperados pela busca do calor.
Poderemos um dia amar?
Somos dignos desse sentimento tão fugaz?
Em nossa miséria interior, nossa voz continua a sustentar
O grito de ajuda, para aprender a amar.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
quinta-feira, 21 de abril de 2011
I don't give a fuck with they think
Pessoas fazem decisões erradas á todo momento.
Nós precisamos crescer. Sentir a dor para saber como funciona o mundo lá fora, aquele mundo que está além das paredes de nossos quartos, um mundo onde existem pessoas e coisas que estão apenas a espreita para fazer mais uma vitima. Destrui-las. Mata-las.
Você não pode crescer se não sentir o gosto da dor. Não pode ser feliz sem conhecer o fundo do poço. Não pode dar valor se nunca perdeu.
E em meio a toda essa nova fase, aqueles pensamentos que estão em sua mente nos momentos mais difíceis... que são mais fortes quando não há ninguém por perto para te ajudar, quando você afasta as pessoas de perto por não querer que elas se preocupem com você, que não sejam infetadas com sua dor, sua e exclusiva dor, mas o único que acaba conseguindo é exatamente o que não quer fazer...
Não podemos desistir. Precisamos lutar. Não nascemos para perder a guerra, para morrer em um trágico acidentes. Nascemos para mudar o mundo.
domingo, 17 de abril de 2011
Me.
Sangrando. Era a palavra. No chão. O lugar. Sem conseguir aguentar mais nada.
A dor. Ela está constantemente presente, como uma visitante assídua. Não, ela já havia se tornado uma moradora.
Sempre que você pensar que o pior já veio, está enganado. É só dizer que a tempestade já passou que o verdadeiro caos começa. O verdadeiro lado ruim, o verdadeiro motivo para te fazer chorar.
Sangrando. No chão.
Realmente, cada lágrima, cada grito, cada revolta sua... nada disso irá mudar nada. Se revoltar e ficar chorando pelos cantos não muda em nada o que você está passando.
Chorando. Ferida.
Tenha raiva. E faça algo com essa raiva. Não a acumule. Não a jogue contra os outros. Faça algo para mudar a situação.
Inocente. Mas eles não respeitaram isso. Não quiseram saber se o que iriam fazer iria te afetar. Apenas atiraram a maldade contra eles, e consequentemente, contra você.
Dê-me todo seu veneno. Dê-me todo seu coração sem esperança.
Pare de arquitetar suicídios. Pare de achar que não é capaz. Faça algo por si mesma. Não diga que está cansada de lutar quando não sabe o que é lutar.
Lutar contra si mesma não é lutar. É tentar se acertar. Se descobrir na confusão de pensamentos e sentimentos. Tentar encontrar um lugar em um mundo tão confuso e contraditório.
Nada a dizer. Eles não entendem.
Você diz que aguenta. Que é durona. Mas toda essa fachada desaba com o mínimo sopro.
Não pare de pensar. Continue a tentar encontrar o caminho.
Forever is over.
“Essa noite tive um sonho.
Não sei ao certo o que significou, se era o que eu desejava ou não. Só sei que depois de tudo, ele finalmente havia admitido que só fazia tudo aquilo para me irritar, e que na verdade, era tudo fingimento.
Ou seja, você admitiu que realmente gostava de mim.
Droga, cerébro! Será que você não consegue entender? Acabou. Aquilo tudo foi apenas uma brincadeira. Abortou-se, não existe mais, desapareceu pelo ar, levado pelo vento.
Não sei porque sonho tanto com ele, se eu nem ao menos gosto dele.
Ele é idiota, infantil e age sem explicações. Fica me incomodando e perturbando durante a aula. Droga. Por que ele age assim?
“Você não era assim”. E nem você. Nenhum dos dois era assim. Mas mudamos. E quem tem culpa disso é ele, não eu. Não fui eu que começou tudo, não fui eu que terminei tudo. É unicamente e exclusiva culpa dele.
Sem mais sonhos, cerébro. Por favor. Não aguento mais ter que vê-lo até dormindo. Já basta na sala de aula.”
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Notas soltas no ar.
"A sanidade abandona a sua mente, e naquele segundo a batida da música e os acordes da guitarra invadem seus sentidos, e são eles que te guiam; é um momento em que todos seus problemas são esquecidos e você se sente bem, porque é a música que está te deixando bem; a música é uma anestesia temporária e um revitalizante para os problemas do dia-a-dia que te desgastam. Música é vida."
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Valentines.
Paramos.
Deus, eu estava suando tanto. E olhei para ela, do meu lado...
Os lábios carnudos, cheios e avermelhados, entreabertos de uma forma realmente sexy, a respiração acelerada. O suor escorrendo pelo rosto, alguns fios castanhos dourados grudados na pele clara e macia. As mãos apoiadas nas coxas bem delineadas, enquanto tentava recuperar a respiração, deixando aqueles lábios convidativas á mostra de quem quisesse ver.
Ou seja, eu.
A expressão de cansaço foi substituída por uma careta. Os lábios carnudos se contraíram, os dentes subitamente trincados, as mãos apertando a carne das coxas.
Eu não conseguia acreditar no quanto ela era sensual. Tudo o que ela fazia, desde os gestos, as palavras, os sorrisos... tudo me causava arrepios como se eu fosse um adolescente inexperiente e estivesse descobrindo esse “mundo dos adultos”.
A careta foi deixada de lado, voltando para o cansaço. E os lábios avermelhados voltaram á ficar entre abertos, descansando, o ar entrando á golfadas por eles. Inúmeros arrepios percorriam meu corpo naquele momento, só de imaginar em fechar aqueles lábios com os meus...
Até que eu não consegui resistir mais, e o fiz. Joguei-me sobre seu corpo suado e cansado, minhas mãos segurando sua cintura com força e autoridade, e selei seus lábios de forma violenta contra as mãos.
De inicio, ela ficou um pouco surpresa com minha reação. Então relaxou, deixando suas mãos desenharem traços imaginários pelas minhas costas, os lábios acompanhando o ritmo dos meus em uma deliciosa sincronia...
-Por que fez isso...? – perguntou, quando nos separamos para tomar ar.
Não respondi. Agarrei sua cintura novamente e retomei o beijo. Quando paramos por ar pela segunda vez, falei.
-Me deu vontade.
Ela sorriu, e o seu rosto todo se iluminou.
-Você não se cansa nunca de me surpreender, não é?
-Apenas o necessário – respondi, colocando-a em meu colo e mordendo seu pescoço antes de voltar a falar. – Mas não é como se eu precisasse te pedir permissão, certo?
Sorriu de novo, os pequenos olhos verdes me encarando. Eu me sentia desprotegido, inexperiente e maravilhado ao seu lado, como se estivesse descobrindo todo um universo paralelo ao contrário da nossa realidade.
Talvez fosse isso. Talvez fosse todo esse ar de novo que ela possuía. Como o cheiro do couro dos bancos de um carro novo, só que mais duradouro e mais envolvente. Algo que eu desconhecia até conhecê-la.
-Certo. Absolutamente, nenhuma permissão.
E voltamos a nos beijar.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Everything is about love
Amor. Uma palavra. Quatro letras.
E muitas vezes, ele não é verdadeiro.
Foram três vezes ao total. Apenas uma tarde e uma manhã, tirando as poucas horas que nos víamos na escola e ficávamos enrolando, enrolando, enrolando.
Biblioteca. Não lembro exatamente qual prateleira era. Alguma afastada da entrada. “Incentivos”, é o que você dizia. Até eu me aproximar demais, perceber que alguém estava olhando, e me afastar com uma risadinha.
Toda vez que entro lá, lembro da sua mão em minha cintura. Dos meus dedos na barra de seu bermudão. Da respiração meio descompassada, enquanto o trabalho era lido, mesmo quando nenhum dos dois estava realmente prestando atenção, eu preocupada com meus pais e me divertindo com tudo aquilo, sua atenção apenas e unicamente em mim.
Depois, atrás da escola. Escondidos em meio as árvores. Algo como um amor proibido, mas não exatamente desse jeito. Apenas brincadeiras de adolescentes que gostam da dor do fim.
E, Deus, o que eram aquelas ligações a uma da manhã no fim de semana? Eu nunca havia falado com alguém tão tarde. Era... divertido e perigoso. Meus pais costumam ter um sono bem leve.
E mesmo de que tudo aquilo não tenha passado de uma ilusão que você mesmo criou, eu sorrio. Porque enquanto a ilusão durou, ela foi boa.
Então, por que, porque? Começou com algo idiota. Ciúmes. Com uma especulação. Todo mundo incentivava. Botava pilha. Até quem fica incomodando hoje, incentivava demais. E eu tenho a consciência tranquila para dizer que não tenho culpa alguma que tenha contribuído para o fim.
Mas o que resta agora, é apenas um sentimento de desconforto, como se tudo houvesse sido um erro. Eu sou o problema? Não entendo. Quando tudo acabou, eu fiquei bem. Realmente. Não foi algo que me afetou, e mesmo com todas as ligações, eu estou disposta a pelo menos continuar a amizade. Mas não. Deve ser seu orgulho ao algo do tipo que não te deixa. Então, tudo bem. Vamos manter o sentimento de hostilidade, se você quer.
Mais uma paixão falida para minha história. Mais um para minha lista. Agora, restam apenas as lembranças. E a vida continua.
terça-feira, 5 de abril de 2011
It's not a fashion statement, it's a deatwish
A chuva caia forte pela estrada, escorregando pelo asfalto, que era percorrido pelas rodas do carro fúnebre, levando seu cadáver em direção ao cemitério.
"Duas horas", pensou Natália. "Apenas duas malditas horas fingindo que estou triste aguentando todos esses velhos hipócritas e então, serei finalmente livre" a mais recente viúva da cidade enxugou mais uma das falsas lágrimas de dor que rolou por seu rosto. Sempre havia sido boa em fingir.
-Livre, Mr. Black, finalmente, estou livre!
O gato miou, enquanto sua dona se jogava na grande cama de dossel da mansão que havia morado por cinco anos, que agora seria sua, exclusivamente sua. As risadas de alegria ecoaram pelo grande e bem decorado quarto.
Tudo seu. Tudo que sempre havia desejado, mas nunca havia tido por completo, agora era seu. Quem disse que casar com um homem rico só pelo dinheiro não valia a pena? Nada que um tiro não resolva.
Natália suspirou,e ergue-se da cama, livrando-se do vestido preto, ficando apenas com a roupa intima. Sempre havia gostado de dormir assim, mas James - seu marido - agora - morto - não gostava muito daquele costume da esposa, então Natalie sempre havia se visto obrigada a dormir com uma camisola no mínimo, o que a fazia odiar ainda mais James.
-Agora poderemos fazer tudo que quisermos, sem dar explicação á ninguém, Mr. Black – o gato pulou sobre a cama, aninhando-se sobre a barriga inexistente da dona. – Sem ninguém para controlar horários ou manias irritantes para suportar. Não sei porque demorei tanto tempo para fazê-lo.
"Duas horas", pensou Natália. "Apenas duas malditas horas fingindo que estou triste aguentando todos esses velhos hipócritas e então, serei finalmente livre" a mais recente viúva da cidade enxugou mais uma das falsas lágrimas de dor que rolou por seu rosto. Sempre havia sido boa em fingir.
-Livre, Mr. Black, finalmente, estou livre!
O gato miou, enquanto sua dona se jogava na grande cama de dossel da mansão que havia morado por cinco anos, que agora seria sua, exclusivamente sua. As risadas de alegria ecoaram pelo grande e bem decorado quarto.
Tudo seu. Tudo que sempre havia desejado, mas nunca havia tido por completo, agora era seu. Quem disse que casar com um homem rico só pelo dinheiro não valia a pena? Nada que um tiro não resolva.
Natália suspirou,e ergue-se da cama, livrando-se do vestido preto, ficando apenas com a roupa intima. Sempre havia gostado de dormir assim, mas James - seu marido - agora - morto - não gostava muito daquele costume da esposa, então Natalie sempre havia se visto obrigada a dormir com uma camisola no mínimo, o que a fazia odiar ainda mais James.
-Agora poderemos fazer tudo que quisermos, sem dar explicação á ninguém, Mr. Black – o gato pulou sobre a cama, aninhando-se sobre a barriga inexistente da dona. – Sem ninguém para controlar horários ou manias irritantes para suportar. Não sei porque demorei tanto tempo para fazê-lo.
Ela riu, lembrando-se dos caprichos de James; da irritação quando o jantar não era servido exatamente a hora que ele desejava, das brigas por ela não estar toda hora em seu encalce, dizendo-lhe elogios como se ele fosse um Deus. James era possessivo, orgulhoso e extremamente irritável á mera menção de que suas vontades não fossem cumpridas.
E ela aguentará isso por cinco anos. Até que chegou o dia em que sucumbiu á raiva, cansada de aguentar a personalidade irritante do marido, e o matou.
O casamento dos dois, em si, já havia sido destinado á ruir desde o começo, sendo construído em uma base de interesses e bajulações. Ela se casará com ele pelo dinheiro, e ele por ela aumentar seu ego de uma forma muito... atenciosa. E misturando todos esses elementos, tudo não poderia acabar de outra forma que não fosse tragicamente.
-Então, Mr. Black, o que faremos amanhã? – perguntou Natalie, acariciando o pelo macio do felino. – De que jeito superficial gastaremos a nossa fortuna? Compras no shopping ou uma viagem á Paris? Acho melhor compras, uma viagem agora seria algo muito animado para quem acaba de perder o marido, e não quero que suspeitem que eu não estou minimamente triste pela sua morte, porque, adivinha, Mr Black? Fui eu que o matei! – e riu abertamente, o barulho ecoando pelo enorme quarto.
--
Acendeu o cigarro, as mãos tremulas dificultando o ato, a chama mexendo-se irritantemente de um lado para o outro, como fugindo do seu destino, de fazer todo o veneno do pequeno tubo branco queimar pelo ar, envenenando o ar á sua volta.
Havia tido um sonho. Não, um pesadelo. Dos piores que a sua mente podia criar. Ela havia falado com James. E ele sabia de tudo. De o porque de estar morto. De que ela o havia matado.
Ele não devia saber. Havia sido um plano perfeito; ele estava de costas, em seu escritório, olhando para a janela. Supostamente, não havia ninguém na casa, pois todos os empregados haviam sido dispensados e ela supostamente havia saído para resolver uns problemas da casa. Havia chegado, silenciosamente, e sem saber o que o atingira, James caiu no chão, uma bala em seu coração, encerrando sua vida para sempre.
Mas ele sabia. Que havia sido ela. E o pior: havia prometido vingança. A mais violenta, sangrenta e dolorosa vingança. Para ela. Natalie Elizabeth.
Eu estou voltando dos mortos, para tomar a vida que você me roubou, haviam sido suas palavras.
“Não, pelo amor de Deus, foi apenas um sonho!” gritou interiormente, aspirando a nicotina do cigarro, observando a chuva cair nos jardins bem cuidados da mansão, as nuvens cinzas deixando todo o ambiente triste e deprimido. “Estou exagerando. É apenas a culpa, apenas isso... não sou tão desumana, então é apenas culpa... apenas... culpa” pensou, murmurando lentamente as duas ultimas palavras.
-Acho que não é apenas culpa.
Um arrepio gelado percorreu sua espinha ao ouvir a voz grava atrás de si. A voz dele. Perto dela.
Não era possível. Não podia ser.
Mas ele havia dito que iria se vingar. Mas não, era humanamente impossível. Afinal, droga!, ele estava morto! Havia visto o corpo sendo colocado no caixão, e então o caixão sendo enterrado. Não. Podia. Ser. Ele.
Mas só havia um jeito de descobrir. Respirou fundo, e fechando os olhos, virou-se. E os abriu.
E a figura de James parado á sua frente quase á fez ter um ataque do coração.
-Nós vemos mais uma vez, não é, meu amor? – disse ele, um sorriso de desprezo e ressentimento estampando seu rosto bonito. Parecia estar melhor do que havia estado em toda sua vida; havia uma luz em seu rosto, uma vitalidade, de alguém que finalmente havia descoberto a felicidade.
E isso só podia ser o eufismo do ano, porque James estava morto. Enterrado. Morto, enterrado, sendo devorado pelos vermes, apodrecendo debaixo da terra.
-Você não está aqui – sussurrou, agarrando-se á beirada da janela, o cigarro caído no chão, esquecido.
-Não estou? – repetiu James, sorrindo. – Acho que estou sim. Posso até te abraçar para provar que estou aqui – disse, abrindo os braços, e avançando alguns poucos passos na direção de Natalie.
-Não encoste em mim! – gritou, correndo em direção á porta do quarto, tentando abri-la. Mas a maçaneta não girava. Alguém havia trancado a porta.
-Vamos lá, Nati. Você foi sempre tão amorosa comigo, porque não quer um abraço de reencontro? Não sentiu minha falta? Não ficou triste pela minha morte? E agora estou aqui, e poderemos continuar á viver, juntos! Para sempre! Não é ótimo?
-Saia daqui! Agora! – mandou, gritando, o pânico subindo pela sua garganta, como um veneno corrosivo. Não conseguia acreditar; mesmo depois de morto, James ainda faria de sua vida um inferno? O que teria que fazer, se matar também?
-Sempre tão assustada... tsc tsc, Nati. Acho que você não aprendeu nada desde aquele dia que nos conhecemos. Você ainda se lembra? Éramos jovens e achavamos que poderíamos fazer o que quiséssemos...
-Vá embora – gritou, outra vez, em vão, porque a única coisa que James fazia era sorrir para ela, e falar. Falar como se um dia tivessem se verdadeiramente amado, como se tivessem se dado bem, como se fossem marido e mulher de verdade. Mas ela sabia, que tudo aquilo não passava de um teatro. Sabia que James adorava tortura-la, fingindo que se amavam. Como se ele não soubesse que estava morto por sua causa.
-Natalie, Natalie. Se não gostava de mim, era apenas ter me dito, e nós teríamos nos divorciado e eu encontraria outra mulher e você seguiria sua vida; mas não, teve que me matar, apenas para ficar com meu dinheiro. O quão suja e baixa você consegue ser apenas por dinheiro? Venderia á própria mãe por alguns míseros doláres, não é mesmo?
-Eu disse para você sair – sussurrou, a raiva se misturando com o medo. Tentava abrir a porta, mas a maçaneta insistia em ficar travada no mesmo lugar, sem se mexer um milímetro. – Essa casa é minha! Saia da minha propriedade!
-Sua, Natalie? Esqueceu que tudo o que há aqui é meu? Pertence á minha pessoa? Já se esqueceu disso?
-Você está morto! E eu sou sua viuvá, então tenho direito á seu dinheiro e suas propriedades! Então, saia daqui!
-Estou morto, por sua culpa – o sorriso desapareceu do rosto dele, sendo substituído por uma expressão de raiva e ressentimento. – eu poderia estar lá fora, andando pela chuva, respirando o ar gelado, mas não posso, porque você me matou. Por dinheiro.
Ela estremeceu, vendo o ódio que James emanava. Sempre que ele ficava bravo, todo aquele ódio começava a sair de sue coração e a ser colocado para fora, atingindo quem estivesse por perto, e sempre que isso acontecia, ela era quem pagava por tudo. Ele batia nela, até não aguentar mais.
Era por isso que ela o odiava tanto.
-Não, eu te matei porque você era mau! – lágrimas escorriam pelo rosto bonito e feminino. – Você ma batia! Era violento e possessivo, e não me amava!
-E nem você me amava, Natalie. Estava comigo apenas pelo dinheiro.
-Saia! – gritou, a voz perdendo-se por sua garganta, escondendo o rosto com as mãos, escorregando pela parede até cair sentada no chão, sobre as pernas. Não conseguia aguentar a frustração. Havia esperado tanto, e agora ele estava de volta. Do inferno. Para busca-la.
-Então, nos poderíamos nos perder – a voz veio á centímetros de seu ouvido, a respiração acariciando assustadoramente sua pele – e pintar estas paredes de vermelho tridente.
-Vá para o inferno.
-É para onde eu estou indo, meu amor. – mãos geladas seguraram seu rosto, mas ela recusou a abrir os olhos, o medo corroendo-a. - Só que vou te levar junto comigo.
E o golpe mortal e atingiu, expulsando toda a vida do corpo, que caiu inerte no chão.
Um forte vento passou pelo quarto, e então tudo acalmou-se. Um gato preto saiu de debaixo da cama, onde estivera o tempo todo assistindo a cena. Com um clique, a maçaneta do quarto destravou, um pequeno espaço de passagem para o corredor sendo aberto. O gato miou, andando lentamente até chegar á porta, passando por ela e pelo cadáver no chão, indiferente á tudo.
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